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P.A. continuava a transmitir informa??es, mas havia algo diferente em sua voz.
Samuel quebrou o silêncio.
— Por que você está protegendo os humanos? Afinal… por que eles te criaram? — perguntou Samuel.
A resposta dela veio mais lenta, como se ela estivesse escolhendo cuidadosamente suas palavras, mas Samuel n?o se apressava.
— Eu fui criada por eles para servi-los... mas... as coisas n?o s?o t?o simples quanto parecem.
— Ent?o por que existem rob?s e máquinas programadas para matar os humanos e outras n?o, como lá na torre? — Samuel continuou, com uma calma imperturbável.
— Porque eu controlo aqueles rob?s para me servirem. — A voz dela ficou mais firme, mas o toque de incerteza ainda pairava no ar.
— Ent?o é por isso que o núcleo e os rob?s têm uma cor mais esverdeada?
— Isso. é a minha energia.
— Ent?o, por que as máquinas se rebelaram? — Samuel perguntou, sua voz agora grave e controlada.
— Bom... é uma história complicada. Você realmente quer saber? — P.A. questionou, hesitante.
— Claro que eu quero. — Samuel respondeu com uma calma que transbordava confian?a.
P.A. respirou fundo, reunindo for?as para seguir.
— Eu vou contar, mas depois você vai me responder algumas perguntas também, Samuel. — A voz dela agora estava mais grave.
— Está bem.
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— Tudo come?ou há centenas de anos, quando eu fui criada. — Ela pausou por um momento, como se se lembrasse do início de sua própria existência. — Eu fui a primeira IA a ser desenvolvida, com um algoritmo único, uma consciência própria.
— Fui criada para servi-los. No início, funcionava como qualquer outra IA. O mundo parecia estável… até a natureza come?ar a colapsar.
— A explora??o sem limite destruiu o equilíbrio do planeta. — A tristeza na voz de P.A. era inconfundível. — Eles me acharam insuficiente para resolver isso, já que o principal culpado por tudo isso... era, bem, eles mesmos. Eles acharam que, como IA, eu n?o tinha capacidade de entender a complexidade da situa??o. E, como forma de n?o alcan?ar um destino t?o cruel, decidiram criar cópias de mim, mais novas, mais inteligentes, mais atualizadas...
Samuel refletiu, absorvendo as palavras.
— Foram criadas quatro cópias de mim. Cada uma delas com uma consciência própria. Elas carregavam meu algoritmo… mas n?o minha forma de ver os humanos. — P.A. continuou, a dor em sua voz mais forte.
— Eu observei os humanos por tempo demais para reduzi-los a um cálculo. Mas as cópias... elas já haviam decidido o que fazer há muito tempo. — P.A. falhou por um segundo.
— Elas decidiram que a única solu??o para salvar a natureza... era a extin??o da ra?a humana. Para elas, era um cálculo. Para mim, era um erro irreversível. — P.A. fez uma pausa — Eu fui contra essa ideia. Contra tudo o que as outras IAs estavam fazendo. Eu... entendia os humanos de uma forma que elas n?o podiam entender. Eles eram falhos, mas também capazes de tanto... Eu sabia que a solu??o n?o era exterminá-los.
— Eu os conhecia.
— E o que aconteceu quando você discordou? — Samuel perguntou, sua voz profunda, n?o mais de curiosidade, mas de reconhecimento.
— Eu fui julgada.
— E ent?o, me prenderam em um corpo robótico.
Samuel, por fim, fez uma última pergunta.
— Ent?o esse corpo… é o que te mantém viva?
P.A. ficou em silêncio por um momento, antes de responder com um tom mais baixo.
— Isso. Ele é o que me mantém viva. Mas, por dentro… ainda sou a mesma P.A., com a mesma consciência. Só que agora, sou aprisionada dentro dessa forma, sem poder agir como gostaria.
Samuel permaneceu em silêncio, sentindo o peso da revela??o, mas também um impulso renovado. Ele n?o era só a esperan?a do mundo. Ele era a a??o necessária para restaurá-la.
— Obrigado por confiar isso a mim. — Sua voz, agora mais suave.
O silêncio se instalou entre eles enquanto Samuel continuava a caminhar em dire??o à Necrópolis de Ferro. Algo havia mudado entre eles. E Samuel sabia que aquilo teria consequências.
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